16/03/2009

Diário de Bordo CUFA no Haiti

Reflexões Athaydianas em diário de bordo da visita ao Haiti

Por Fernanda Quevedo
Postagem Welber Correia

Na incansável missão, MV Bill e Celso Athayde relatam sobre os jovens e a influência (ou a falta de influencia) do Rap, naquele país. Athayde, que é criador do maior e mais importante Prêmio de Hip Hop da América Latina, o Hutuz, destaca que, grande parte dos jovens haitianos apreciam o Rap, e cantam Hip Hop em Crioule, a língua nativa da favela Citei Solei e em francês que é a língua oficial. Além disso, questiona o Rap Americano. Celso também tece comentários acerca da missão de Paz do Exercito Brasileiro naquele país.

Confira na íntegra o que Celso Athayde disse, em seu diário de bordo:

Sobre os jovens

Apesar de viverem no berço da mais completa miséria, de olharem para o futuro e não conseguir ver muita coisa , os jovens existem e se apegam em sua totalidade ao rap, no Hip Hop com sotaque crioule, língua da ilha, além do francês que é a língua oficial. Resta-nos agora saber se o rap americano vai dar para esses jovens alguma consciência e realizações, além do conhecido protesto.

Engana-se quem pensa que estes jovens estavam assistindo a final do mundial de futebol, esporte que eles amam. Estavam sim, assistindo a um vídeo de Hip Hop americano. Ao avistar os jovens reunidos, Bill se juntou a eles para ver do que se tratava, e então estava lá, o Hip Hop mostrando que pode ser uma forma importante de mobilização
.

Sobre as tropas do Exercito Brasileiro

Confesso que eu sempre fiz criticas ao que eu chamava de ocupação das tropas brasileiras no Haiti, mas ao conhecê-las, as críticas se tornaram ingênuas e infantis. Não se trata de uma ocupação, mas de uma Forca de Paz, que tem o objetivo de estabelecer a ordem pública no país a pedido do próprio Governo Haitiano, e agora sei que muitos outros países estão nesta missão a convite da ONU.

Mas eu tenho mesmo mania ou até o desejo de criticar, e se a ONU não entrasse para fazer esse trabalho eu certamente a acusaria de estar virando as costas para o conflito no Haiti só porque só tem pretos lá, e chamaria a ONU de racista.

Não tem jeito, ou o Brasil se desliga da ONU ou vai estar sempre propensa a fazer trabalhos com ela, o que é o caso.

Na foto que esta abaixo, resolvemos ir com a mesma tropa para conhecer a noite da favela mais violenta de Porto Príncipe. Juntamos aos soldados que fazem todas as noites patrulhas para mostrar que estão presentes. A miséria do lugar é tão grande que tudo vale muito dinheiro. Por exemplo, a existência das gangues tinham o objetivo de explorar os miseráveis, cobrando pedágios em todos os serviços para a comunidade como água. As gangues então, se apoderavam desses benefícios do Estado e acabavam não chegando a população.

Portanto passei a entender que as armas do exército realmente teriam que existir, do contrário não existiria forma de fazer uma pacificação eficiente.




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