Na foto, Talles Lopes (Goma Card-MG), Linha Dura (Favela Card-MT), Paul Singer (Secretário Nacional de Economia Solidária), Daniel Zen (Catraia Card-AC) e Pablo Capilé (Cubo Card-MT) | foto: Paulo Kyd
As moedas complementares que circulam no Fora do Eixo foram pauta de matéria de capa do caderno de economia do Jornal do Comércio(RJ) no início dessa semana. O mote central é o fato da associação Rede Rio Música (criada no mês passado) estar fazendo uso dessa mesma tecnologia. A matéria dá alguns exemplos práticos da troca de serviços e cita as bandas cuiabanas Vanguart e Macaco Bong como resultado da criação do Cubo Card, em 2004 e cita ainda estabelecimentos que aceitam a moeda, como planos de saúde, cursos de inglês, restaurantes, etc.
O ponto alto da reportagem é quando o jornalista Chico Barbosa reconhece a existência de uma tendência nacional de criação de moedas complementares, citando os coletivos Goma (Uberlândia-MG) e Catraia (Rio Branco-AC), que estão preparando o lançamento das moedas Goma Card e Catraia Card, inspirados na experiência do Cubo Card.
No RJ, a Rede Rio Música foi criada com intuito semelhante. Formada por Arthur Coelho Bezerra (Gestor do Projeto da Cadeia Produtiva da Música – SEBRAE – Setor de Desenvolvimento da Economia Criativa), Rodrigo Lariú (do selo Midsummer Madness) e Bruno Levinson (criador do festival carioca Humaitá Pra Peixe) a idéia inicial era discutir “como formalizar uma economia informal”. Desde então mais pessoas adentraram a associação.
Bacana que a matéria traz ainda um box tratando da legalidade da moeda, contando com a opinião de especialistas. Segundo um deles, o advogado Luiz Gabriel Gubeissi endossa a ação: “No contexto cultural brasileiro, em que bandas, atores e cineastas nacionais tem enorme dificuldade para divulgar seus trabalhos, o Cubo Card se configura como uma alternativa interessante e, acima de tudo, amparada pela Constituição”.
A matéria prova mais uma vez como as novas perspectivas da produção cultural brasileira (baseadas em associativismo, economia solidária e mercado médio) vem ocupando espaço na grande mídia "oficial" do país.
Postagem: Welber Correia

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