15/01/2009

Adolescentes infratores viram grafiteiros

Publicado em 15.01.2009


Parceria entre a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), antiga Fundac, e o Coletivo Manguecrew uniu duas necessidades em uma só ação: profissionalizou mão-de-obra dos adolescentes infratores e renovou a fachada da sede que funciona na Avenida Abdias de Carvalho, no Bongi, Zona Oeste do Recife. Assim, os adolescentes em regime de semiliberdade ou que aguardam a decisão da Justiça, tiveram aulas de grafitagem e deram uma nova cara ao prédio da Funase. A inauguração aconteceu ontem.

Cumprindo pena em regime semiaberto há três meses, na Casa de Semiliberdade (Casem I), na Avenida Norte, Zona Norte do Recife, por assalto, Romero (nome fictício), 16 anos, estava orgulhoso do trabalho. "Tem gente que nem acredita que eu ajudei a pintar o muro. Daqui a quatro meses, quando eu ficar livre, quero fazer a mesma coisa na minha rua (na Ilha de Joana Bezerra, área central do Recife)."

Bruno (nome fictício), 17, também está na Casem e responde em liberdade assistida por assalto. "Quando eu pensava em sair, não sabia em que eu iria me ocupar, agora, eu já tenho uma possibilidade."

Antes de fundar o Coletivo com os amigos do bairro do Totó, na Zona Oeste da cidade, há sete anos, Felipe de Lima, 25, pichou vários muros da cidade. "Chegou uma hora em que eu percebi que aquilo não passava de rabiscos. Hoje, prefiro usar a tinta para pintar idéias." O que mais chama a sua atenção, segundo ele, é a capacidade que a arte tem de agregar pessoas. "Tem gente de um bairro que não pode entrar em outro, se não tem confusão. Mas nas nossas ações, é diferente."

José Cleiton Severino de Lima, 27, também integra o grupo. "Não é todo mundo que tem dinheiro para ir a uma exposição de arte. O muro é uma exposição aberta."

Segundo o presidente da Funase, Alberto Vinícius do Nascimento, é preciso incentivar outras medidas desse tipo. "Existe uma visão negativa da sociedade quando se pensa na Funase e seus adolescentes. As pessoas reclamam da violência, mas viram as costas para eles. Queremos que quem passe por aqui comece a ver que não existe só pedra e espinho, mas também arte."

Postagem: Welber Correia

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